Estou fazendo grande obra, de modo que não poderei descer; por que cessaria a obra, enquanto eu a deixasse e fosse ter convosco? (Neemias 6.3)
Sabemos que ao longo da vida cristã, há momentos em que tudo o que queremos é seguir com tranquilidade, trabalhar com dedicação, servir com alegria e ver os frutos de tudo o que plantamos. Mas é justamente nesses momentos que surgem os nossos piores adversários. Diferentemente do contexto de Neemias, esses adversários podem não usar lanças, espadas ou armaduras, mas ainda estão presentes, e agem de forma sutil, persistente e cruel.
Lembre-se que Neemias, foi um judeu exilado e copeiro do rei persa Artaxerxes, recebe notícias da miséria de Jerusalém e decide liderar a reconstrução dos muros da cidade. Com autorização real, ele mobiliza o povo para o trabalho, enfrentando oposição externa de Sambalate, Tobias e Gesém, e interna, como injustiças sociais entre os próprios judeus. Mesmo diante de zombarias, ameaças, mentiras e armadilhas, Neemias mantém o foco, ora com fervor e lidera com coragem, até concluir a reconstrução dos muros em apenas 52 dias, como narrado até o capítulo 6.
Perceba que ao longo deste capítulo em específico, Sambalate, Tobias e Gesém não se opunham apenas à construção de um muro físico. Eles se opunham ao avanço de um propósito de Deus. O que incomodava aqueles homens não era o formato das pedras, ou a reconstrução dos muros, mas a restauração da dignidade de um povo que havia sido envergonhado. E da mesma forma, toda vez que alguém se levanta para obedecer a Deus, seja para restaurar uma família, viver com integridade, ou testemunhar com coragem, a oposição virá.
Quando decidimos viver de acordo com nossa fé, nos tornamos alvos. Somos questionados, rejeitados, mal interpretados e até perseguidos, não apenas por forças externas, mas muitas vezes por pessoas próximas. Às vezes, a oposição vem de onde menos esperamos. Pode vir de um ambiente de trabalho que pressiona, de amizades que zombam, ou de familiares que não compreendem nossa fidelidade a Cristo e a sua palavra.
Mas as Sagradas Escrituras nos ensinam algo maravilhoso: não devemos responder oposição com gritaria, ou pagando na mesma moeda, mas com perseverança. Neemias não perdeu tempo debatendo com os inimigos. Não tentou agradar. Não abandonou a obra. Ele discerniu a armadilha, elevou seus olhos ao Senhor, e continuou com as mãos firmes na missão.
Em tempos em que muitos têm negociado convicções, abandonado sua fé por conveniências ou se calado diante do erro por medo de rejeição, Deus nos chama para uma postura firme. O mundo precisa ver cristãos que, como Neemias, não descem do muro. Que não se vendem, não se cansam, não se distraem e não se corrompem. Há uma grande e poderosa obra diante de nós. E a oposição não é sinal de fracasso é sinal de que estamos avançando pelo caminho certo.
Lembre-se dessa importante lição: a autoridade de Neemias lhe foi concedida pelo rei da Pérsia, a nossa vem do Rei dos reis. Maior é o que está em nós. E por mais que sejamos atacados, acusados ou tentados, nada poderá nos separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus.