Em primeiro lugar precisamos nos lembrar que a liderança no ambiente da Igreja não é uma posição de prestígio humano, mas um chamado divino para servir. Jesus mesmo redefine o conceito de liderança quando afirma: “ Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Marcos 10.45). No corpo de Cristo, liderar não significa exercer domínio, mas guiar com amor, cuidado, misericórdia, exemplo e humildade.
Me lembro que, antes de entrar no seminário, ouvi a história de um candidato ao ministério. Ele desejava o sagrado ofício e, quando foi questionado sobre suas motivações, respondeu de forma simples e direta: “Tenho o dom de liderar, gosto de mandar.” Como você deve imaginar, ele não foi aprovado. Afinal, a resposta que recebeu de seu conselho foi que todo e qualquer homem que sirva em um cargo de liderança na Igreja, desde pastores e presbíteros até diáconos e líderes de ministérios, deve entender que seu chamado é para o serviço: servir primeiro a Deus e, em seguida, à Igreja.
É muito mais profundo do que apenas “mandar”. Não somos donos da Igreja, ela pertence ao Senhor Jesus Cristo e foi comprada por Ele com o seu próprio sangue (At 20.28). Somos apenas servos que cuidam daquilo que pertence ao Senhor. Sempre veja a Igreja dessa forma. Em tempos de eleger oficiais, vote em homens verdadeiramente piedosos, que tratem a Igreja não como uma oportunidade de ampliar seu poder e governo, mas com o temor de saber que Deus, em seu eterno poder e soberania, confiou-a aos nossos cuidados.
Ainda dentro dessa temática, o apóstolo Pedro exorta os líderes da Igreja a apascentarem o rebanho de Deus “não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores dos que lhes foram confiados, mas tornando-se modelos para o rebanho” (1 Pedro 5.2-3). Aos oficiais eleitos, e àqueles que ainda serão, jamais se esqueçam de que o rebanho pertence a Deus. A nós foi dada a grande e pesada responsabilidade de cuidar desse povo. Portanto, amemo-los como Cristo amou, cuidemos deles como Cristo cuidou e honremos sempre a Deus e à Igreja, zelando pelo bom testemunho e por um comportamento condizente com o nosso ofício.
É então por causa dessa grande responsabilidade que Paulo descreve o líder como alguém irrepreensível, hospitaleiro, apto para ensinar e paciente (1 Timóteo 3.1-7; 2 Timóteo 2.24-25). Essas qualificações não são apenas exigências formais, mas refletem um caráter moldado pelo Evangelho. A liderança cristã se sustenta não apenas em carisma ou habilidade estratégica, por mais que essas sejam boas qualificações, mas principalmente em piedade, integridade, vida de oração e profunda dependência do Espírito Santo.
Portanto, liderar na Igreja é uma tarefa sagrada: é ensinar a verdade, corrigir com amor, proteger contra falsos ensinos, encorajar os cansados e apontar sempre para Cristo. É caminhar na frente para guiar, mas também caminhar junto para servir. Como escreveu o Apóstolo Paulo: “Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo” (1 Coríntios 11.1).